Mais informação sobre empreendedorismo para juventude

Mais informação sobre empreendedorismo para juventude

Fui convidado para participar como palestrante na 3ª Conferência Municipal da Juventude, organizada pela Secretaria Municipal de Juventude Esporte e Lazer, no último sábado, dia 15, no campus da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Não sei se a palavra que define o que senti após minha participação foi arrependimento ou decepção, ao me deparar com uma convergência de falta de planejamento, educação e uma grande dose de oportunismo.

Eu explico

A conferência é um evento realizado pela Prefeitura de Manaus com o intuito de ouvir os jovens sobre diversos temas como Desenvolvimento Educacional, Meio Ambiente, Mobilidade Urbana, entre outros. No total, foram 12 grupos de trabalho que reuniram cerca de 60 jovens cada. Meu papel lá foi palestrar no Grupo sobre Empreendedorismo e Desenvolvimento profissional.

Como membro da Associação de Jovens Empresários e colaborador da Diretoria desta instituição, coloquei o convite em uma das nossas semanais reuniões de diretorias. Fui autorizado pelos colegas a falar em nome da AJE e buscar aumentar nosso pilar de relacionamento com mais essa ação.

Na teoria, cada grupo de trabalho funciona da seguinte forma: Um ou dois palestrantes apresentam informações sobre o tema, um coordenador organiza a dinâmica de apresentação de 3 a 10 desafios e posteriormente, suas respectivas propostas de solução, por fim, um secretário relata tudo e encaminha a uma plenária para aprovação/votação das ideias.

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Na prática tudo muda

Levando em consideração que o evento reuniu centena de jovens (centenas!), entendo que a dinâmica é bastante complexa e por isso não atribuo apenas à organização do poder público todos os problemas. Com o objetivo de ser mais participativo, foi concedida a grupos representantes da juventude da cidade a escolha de palestrantes, secretários e coordenadores para os grupos de trabalho. Isso não funcionou, muitos indicados não compareceram e alguns grupos (como o meu) ficaram desfalcados.

O evento estava marcado para começar às 8h15 com o credenciamento (eu cheguei às 7h44), logo depois, solenidade de abertura e em seguida as discussões nos grupos seriam iniciadas às 10h. Para você ter uma ideia, quando o prefeito discursou eram 11h. Daí é possível imaginar que depois de todas as falas e a condução dos participantes para as salas de debate ficou fácil começar às 12h45.

Outro problema me deixou bastante assustado, um grande número de jovens que estavam no evento por motivações de grupos políticos que articularam a participação no evento. De maneira geral não há grande problema nisso já que a representatividade de jovens políticos se faz em lugares assim, porém, muitos deles não sabiam o que estava de fato acontecendo ali.

Meu grupo de trabalho, com o nome de Empreendedorismo e desenvolvimento profissional, possuía cerca de 70 pessoas. O mais novo, Eudes, morador do bairro Alvorada e membro de um Movimento de Amigos da Zona Norte, tinha 13 anos. Depois de pedir uma breve participação/apresentação, descobri que o mais velho tinha 58 anos. A maioria mulheres, cerca de 60%, alguns já possuíam o algum tipo de atividade remunerada própria (apenas 4 pessoas) e praticamente todos afirmaram estar lá para aprender alguma coisa.

Sem nenhum outro palestrante, sem coordenador e com a ajuda de uma secretária da própria organização, dei início à minha participação. Contei com a ajuda de conhecidos para montar um projetor na sala e usei todas as minhas artimanhas de ex-professor substituto da UFAM para fazer aquilo acontecer. Pensando na colaboração que poderia levar para o evento, preparei uma apresentação com dados sobre o empreendedorismo em algumas cidades brasileiras e sobre o perfil do jovem empreendedor. As informações foram tiradas das pesquisas feitas pela Endeavor e Confederação Nacional dos Jovens Empresários (Conaje). Minha estratégia era munir os participantes de dados para que pudessem pensar em soluções para o aumento da capacidade empreendedora de jovens na cidade de Manaus.

O que deu errado?

Minha função era palestrar, mas com a falta do coordenador, me pediram que organizasse os desafios e proposições que seriam levadas à plenária. Separei a sala em grupos, cada um com a missão de entregar desafios para a cidade desenvolver o empreendedorismo. Infelizmente, meu objetivo não foi cumprido tão facilmente, os problemas apresentados não fugiram do senso comum da falta de investimento público, falta de infraestrutura, falta disso e daquilo.

Passamos para uma segunda rodada, onde tentei esclarecer que nem sempre o poder público deve ser encarado como o principal culpado de nossos problemas, que empreendedorismo é fazer acontecer e que estávamos ali para tentar colaborar com o governo nas decisões para o segmento em questão.

Depois de algumas paradas, conversas ao pé do ouvido e etc, conseguimos. Estavam lá, 8 desafios para o desenvolvimento profissional dos empreendedores de Manaus. Agora faltavam as proposições.

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Uma luz no fim do túnel e um verdadeiro desafio

O desafios colocados pelos participantes foram condensados e geraram uma grande proposição com 4 desdobramentos. A discussão elucidou um problema macro que os participantes definiram como: Falta de Informação. Considero uma luz no fim do túnel, já que segundo eles, as informações sobre empreendedorismo não chegam a todos de maneira satisfatória. Muitos deles não sabiam ao certo o que estavam fazendo ali e tampouco como poderiam contribuir para a cidade.

Meu maior aprendizado na participação deste evento, apesar de todos os problemas, foi descobrir que devemos fazer essa informação chegar a todos, de diversas formas, colaborando sempre para a difusão do empreendedorismo em nossa cidade.

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